Os poemas aqui reunidos, sobre as mais diversas temáticas, inauguram essa Segunda Voz que ecoa no caminho de um amadurecimento e de uma travessia de longa data. Eles se inscrevem ao ritmo de pulsações, de fluências advindas quase que a esmo, mas que, ainda assim, procuram dar um contorno alfabético às experiências cotidianas de nossa subjetividade e vivência. Essas experiências estão atreladas aos movimentos fluidos de representações, de afetos, de imagens, de questões dispersas que frequentemente nos habitam e se exercem para além de nós mesmos, para além de nossas vontades egoicas, eminentemente intencionais, conscientes ou reflexivas.

Sob este aspecto, este livro escapa a um esforço inflexível, adestrado e disciplinado de arrazoamentos virtuosos. Ele procura subverter os adornos de uma razão positiva que frequentemente captura e forja sentidos estanques e bem construídos, sobretudo, a partir dos rigores semânticos, léxicos, sintáticos ou gramaticais.

Diferentemente disso, Segunda Voz busca criar passagens, trânsitos, deslizamentos, aberturas, trocas, para que novas formas, novas imagens e, principalmente, novas musicalidades venham à tona. Seu propósito é ressoar a partir de seus próprios contornos, de seu próprio ato de se escrever, dizendo não a uma só voz, mas a várias vozes – às vozes líquidas do poema, como diria Rimbaud.