A obra que se tem em mãos (ou em telas) se apresenta como um guia dos caminhos aos quais somos socialmente imbricados a enveredar no momento histórico presente.
O autor traz, em tom de denúncia e alerta, reflexões acerca das consequências mais latentes às novas tecnologias do século XXI, nas esferas social, individual, ambiental e psíquica.
Suas meditações sobre o ser no mundo presente partem de referências concisas, que exploram a história da civilização, as principais construções teóricas sobre a sociedade até aqui, e as observações empíricas advindas do laboratório cotidiano de um terapeuta latino-americano no século XXI.
É necessário coragem e ousadia para se embrenhar no tema em questão e buscar explorar as relações materiais e subjetivas da humanidade com o advento das novas tecnologias.
Como integrantes desse fenômeno complexo, o exercício de analisar e teorizar acerca deste momento histórico é uma tarefa que traz consigo incertezas, inseguranças e grandes dificuldades metodológicas.
Entretanto não há alguém melhor do que um poeta e trabalhador da saúde mental para elucidar um pouco sobre como a humanidade está lidando com tanta novidade.
O grande desafio do ser humano frente ao avanço tecnológico massivo e exponencial talvez seja a busca de uma adaptação não destrutiva e mais saudável, pois, como diz o neurocientista Sidarta Ribeiro, “o cérebro humano é um hardware rudimentar para um software complexo, que seria a dinâmica do mundo contemporâneo”.
Sendo assim, os escritos em questão entram na categoria de uma gama de obras escritas por grandes pensadores atuais (Krenak, Conceição Evaristo, Byung-Chul Han, Maria Homem, Bauman, Márcia Tiburi, Zizek, dentre outros) que podem nos ajudar a buscar novos caminhos nessa relação tão incerta e perniciosa com a atualidade e os mecanismos que nos cercam, nos capturam e nos engolem.
João Vitor Junqueira Silva (artista e psicólogo)

