O pobre Sr. Raimundo, mais uma vez, cravou suas unhas na terra e começou a removê-la. Ele encontrou algo duro e levou a terra com o objeto até um dos policiais, depositando-a no chão. O policial pegou a pedra do meio da terra e começou a limpá-la com um pedaço de pano. Para surpresa de todos, era uma opala de fogo australiana. Naquele momento, era difícil dizer o que brilhava mais: o sorriso da delegada, os olhos azuis do chefe dos agentes ou a pedra preciosa.
O sabor de uma proeza muitas vezes vai além do prazer da superação ou do usufruto material da conquista. Quando há uma motivação ideológica, a proeza se torna mais do que uma conquista pessoal. Ela se transforma em uma mensagem que deve permanecer no tempo, nas lembranças das pessoas. No entanto, isso tem um custo alto. Exige sacrifícios, riscos constantes, perseguições e desconfiança permanente. Pode levar o autor a renunciar a vaidades e ambições, envolver outras pessoas e, em casos extremos, até mesmo abdicar da própria vida para manter a lembrança viva.
Neste livro, o autor da proeza se depara com os acasos da vida, fazendo com que a história se estenda para outro horizonte. Ele cria outra situação repleta de emoções, tristezas, momentos cômicos e surpresas. Surpresas que o obrigam a render-se aos seus sentimentos, abandonar a fuga, guardar seus segredos nas sombras de poemas e despedir-se da vida. Afinal, mais do que uma pedra preciosa, o segredo é mais brilhante do que a vida.

