“My Way” é uma obra que nos leva em uma viagem temporal, demonstrando que o Tempo, descrito como um senhor tão bonito, é um rebelde que não segue uma linha reta. Ele se move de frente para trás, de trás para frente, circula mundos e cria outros tantos. Esta é a premissa da autobiografia do velho Danilo Chasles, que, em parceria com a coautora Daniele Garcia, percorre baús de memórias em busca de tesouros e de alguma diversão para aliviar o tédio da pandemia.
A cada movimento de escrita, o biografado não apenas se relembra e se revela, mas também parece mexer em poeira cósmica. As Musas presentearam os autores com momentos surpreendentes e coincidências inexplicáveis. Um exemplo disso é que cada capítulo do livro corresponde a um verso da canção “My Way”, de Frank Sinatra, a preferida de Danilo.
Quando o último verso foi usado, ainda havia capítulos a serem escritos. A coautora pensou que precisaria redistribuir as estrofes da canção. No entanto, não foi necessário. Danilo partiu deste mundo exatamente quando o último verso foi usado, e tudo o que foi escrito de maneira póstuma seguiu sem se prender à canção.
Assim como o título deste livro, Danilo também viveu sem prisões. E é isso o que esses dois senhores, Danilo e o Tempo, nos ensinam: é possível fazer escolhas, arrepender-se e transformar tudo outra vez.

