-
Há obras que se limitam a registrar o seu tempo, e há aquelas que, ao fazê-lo, acabam nos ajudando a interpretá-lo, situando os acontecimentos no interior de processos históricos mais amplos e desvendando as forças políticas, ideológicas e sociais que lhes dão sentido. Escritos contra os autoritários e a revolta antidemocrática, de Charles Gentil, que ganha agora nova edição, insere-se nessa segunda tradição. Hoje, felizmente, já existe uma razoável prateleira de obras publicadas que deram conta do período sombrio de emergência, força e efeitos nefastos do bolsonarismo no Brasil desde a ascensão de Jair Bolsonaro, fruto, em grande medida, dos longos e difíceis anos em que o Poder Judiciário, a República da Lava Jato no Paraná, setores da mídia e o conservadorismo brasileiro emparedaram a esquerda, o PT e seus governos progressistas. Muitos desses livros são fruto de pesquisas acadêmicas ou jornalísticas; outros, ensaísticos. Há ainda aqueles que buscam explicar faces específicas do bolsonarismo, entre as quais a vigência do discurso antipetista, a tragédia da pandemia de Covid-19, o ódio à esquerda, à ciência e ao pluralismo, a violenta política de criminalização da sociedade civil ou a liberalização desmedida de armas e munições, além dos ataques sistemáticos à democracia e da providencial resistência de nossas instituições. Todos eles compõem uma já razoável historiografia, quase em tempo real, sobre a ascensão do fenômeno bolsonarista. -
“Isso denuncia que esta obra está absolutamente fora da moda, de sua época, e é por isso desprovida de atrativos e bom senso. Que obra desprezível, anacrônica, perversa. De fato, e a verdade precisa ser dita: que obra maldita, mal falada, malfadada,mal escrita [...]”
“[...] Este livro de mau gosto, de mau agouro porque diz verdades, talvez não deva mesmo, enfim, sendo proscrito ser prescrito a ninguém [...]”
“[...] tais indivíduos podem passar mal ao ler este livro detestável e tóxico [...]”
“Aliás, é um livro miserável, deprimente, revoltante (da primeira à última página)”
“Mas uma obra indigesta assim não pode ser louvada [...] E este é, de fato, um livro perigoso [...]”
“Aliás, esta obra é como um fruto proibido: um pecado. Falo e falo a verdade. Sobretudo às mulheres: Afastem-se deste mal!!! [...] Porém, eu repito a um improvável leitor: não leia, não se atreva, não se fira, não ceda à tentação, não abra a obra[...]”
“Mas, se alguém por curiosidade não consentir em me obedecer e ceder à tentação – em vez de deixar este livro fechado, censurado, pendurado para sempre, calado, intocado na árvore do esquecimento, saiba; ouça!!! (não se atreva). Antes de ser picado por esta obra [...]”
Trechos extraídos do antiprefácio