O acesso à Justiça somente se concretiza quando as pessoas conseguem compreender o processo, exercer seus direitos e participar, de forma efetiva, da construção da decisão judicial. Embora o ordenamento jurídico brasileiro tenha avançado significativamente na proteção dos direitos das pessoas com deficiência, ainda persistem barreiras comunicacionais, cognitivas, sensoriais, procedimentais e organizacionais que comprometem a efetividade da prestação jurisdicional, especialmente para pessoas neurodivergentes. Nesta obra, Larissa Camargo Pinho apresenta os fundamentos da Justiça Neuroinclusiva, propondo uma nova perspectiva para a atuação do Poder Judiciário: reconhecer que o direito de compreender e de ser compreendido constitui expressão da dignidade da pessoa humana e condição indispensável para o acesso efetivo à Justiça. Com sólida fundamentação constitucional, análise da legislação nacional e internacional, referências científicas e diretrizes práticas, o livro apresenta o Protocolo Brasileiro de Justiça Neuroinclusiva, metodologia inédita desenvolvida para auxiliar magistrados, servidores e demais profissionais do sistema de Justiça na identificação de barreiras e na implementação de adaptações razoáveis, sem alterar a estrutura do processo ou criar novos direitos. Mais do que um estudo sobre acessibilidade, esta obra propõe uma transformação na forma de compreender a prestação jurisdicional: uma Justiça que preserva a segurança jurídica, fortaleça a igualdade material e coloque a pessoa no centro da atuação institucional. Porque uma Justiça verdadeiramente democrática não é apenas aquela que decide. É aquela que pode ser compreendida por todos.