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Você já se considerou um idiota ou já se comportou como um? Eu, anos atrás, teria respondido que não, até entender o significado literal da palavra. "Idiota", originário do grego idios, não era inicialmente um termo depreciativo, mas sim relacionado à cidadania. Era usado para se referir àquele que não contribuía para os debates políticos. Péricles, um importante estadista grego, declarou que esse homem era "absolutamente inútil", pois não se interessava pelos assuntos públicos. Com o passar do tempo, o termo idiotes começou a ser usado para designar os "homens comuns", sem distinção intelectual. Em espanhol, idiotismo/idiocia é usado para definir a deficiência intelectual. A palavra chegou ao português pelo latim idiota, mantendo a grafia, mas no Brasil, ganhou conotação de "canalhice" ou daquela pessoa que nada sabe e se acha sábia. Inspirado por uma lição de Olavo de Carvalho, que ensina que "saber primeiro para julgar depois é o dever número um do homem responsável", decidi analisar meu próprio "eu". O autoconhecimento é o primeiro passo para entender que "as coisas podem não ser o que parecem", como dizia Hyppolite Taine, um importante filósofo e historiador francês. Na primeira parte deste livro, apresento casos em que me comportei como um idiota ao tentar demonstrar saber sem ter certeza das informações. Na segunda parte, discuto o quanto as palavras podem ser venenosas quando pronunciadas com doçura. Ao optar por uma linguagem respeitosa e inclusiva, contribuímos para um ambiente social mais saudável. É essencial lembrar que, mesmo na frustração, as palavras devem ser escolhidas com cuidado. Em um mundo que busca ser mais sensível, usar termos que ofendem ou marginalizam é um passo na direção errada.