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Você já se considerou um idiota ou já se comportou como um? Eu, anos atrás, teria respondido que não, até entender o significado literal da palavra. "Idiota", originário do grego idios, não era inicialmente um termo depreciativo, mas sim relacionado à cidadania. Era usado para se referir àquele que não contribuía para os debates políticos. Péricles, um importante estadista grego, declarou que esse homem era "absolutamente inútil", pois não se interessava pelos assuntos públicos. Com o passar do tempo, o termo idiotes começou a ser usado para designar os "homens comuns", sem distinção intelectual. Em espanhol, idiotismo/idiocia é usado para definir a deficiência intelectual. A palavra chegou ao português pelo latim idiota, mantendo a grafia, mas no Brasil, ganhou conotação de "canalhice" ou daquela pessoa que nada sabe e se acha sábia. Inspirado por uma lição de Olavo de Carvalho, que ensina que "saber primeiro para julgar depois é o dever número um do homem responsável", decidi analisar meu próprio "eu". O autoconhecimento é o primeiro passo para entender que "as coisas podem não ser o que parecem", como dizia Hyppolite Taine, um importante filósofo e historiador francês. Na primeira parte deste livro, apresento casos em que me comportei como um idiota ao tentar demonstrar saber sem ter certeza das informações. Na segunda parte, discuto o quanto as palavras podem ser venenosas quando pronunciadas com doçura. Ao optar por uma linguagem respeitosa e inclusiva, contribuímos para um ambiente social mais saudável. É essencial lembrar que, mesmo na frustração, as palavras devem ser escolhidas com cuidado. Em um mundo que busca ser mais sensível, usar termos que ofendem ou marginalizam é um passo na direção errada. -
Nesta obra, Ana Paula Dorigatti nos presenteia com mais do que simples memórias. Ela nos oferece coragem, delicadeza e verdade, elementos que se entrelaçam em cada página. Cada capítulo é um reflexo de suas raízes, escolhas e encontros, revelando a força de uma mulher que ousou se escutar e se reinventar. Este livro não é uma compilação de receitas prontas ou verdades absolutas. Ao contrário, é a beleza de uma vida contada com autenticidade. A autora nos leva desde os sonhos da menina que foi, até o florescer da mulher que se permitiu recomeçar. Tive a alegria de testemunhar esse florescer desde o primeiro passo, quando Ana Paula aceitou meu convite para escrever em Mulheres Conselheiras. Naquela época, Ana Paula duvidava se sua voz merecia ser registrada. No entanto, ao entregar palavras inteiras e vivas, vi nascer uma autora. Hoje, este livro confirma o que já era evidente: sua escrita tem alma. Mais do que uma autobiografia, este livro é um convite e um espelho. Ele convida você a revisitar sua própria história, a dar voz à criança interior e a reconhecer que as respostas já moram dentro de si. E, como um espelho, reflete em cada narrativa o que nos torna humanos: a capacidade de aprender, se transformar e escrever novos capítulos, quantas vezes forem necessárias. Ao lê-lo, você descobrirá que não está apenas diante da história de Ana Paula. Está, também, diante da sua. - Sara Velloso. -
O livro "Tempo e Psicanálises Contemporâneas: Teoria e Clínica" tem como principal objetivo contribuir para o pensamento psicanalítico atual. A obra propõe reflexões plurais sobre o tempo e a temporalidade, categorias que são essenciais tanto para a teoria quanto para a prática psicanalítica. A riqueza do livro está na diversidade de autores que reúne, todos provenientes de diferentes correntes teóricas da psicanálise. Esta variedade de perspectivas oferece um panorama amplo e diversificado para o leitor. O livro busca articular a tradição freudiana com as inquietações e desafios do século XXI. Assim, ele se torna uma ferramenta valiosa para quem deseja compreender as complexidades da psicanálise no contexto contemporâneo. -
"O Segredo da Flor" é uma narrativa que se origina de um episódio histórico: a passagem do combatente farroupilha Garibaldi e sua companheira Anita pela Freguesia de Mostardas. A história revela os mistérios de uma roseira que floresce em solo pobre e apresenta a vida apaixonante de Florência, uma bela jovem criada no ambiente rural. Ela vive na península banhada pela Laguna dos Patos, de um lado, e pela imensidão do Atlântico, de outro. Florência experimenta as paixões do desabrochar da sexualidade, enfrentando os apetites sensuais e o assédio do senhor daquelas terras. Ela equilibra essas experiências com o encantamento do primeiro amor e sofre as tensões de um triângulo amoroso resultante. Além disso, sua vida íntima é marcada por segredos, incluindo seu envolvimento afetivo com um sacerdote naufragado, a quem ela ajudou a salvar de uma maneira inusitada. A história de Florência se entrelaça com a de Fernanda, outra mulher forte e cativante, que possui uma beleza física e espiritual. Fernanda se retira da capital para a mesma área litorânea para participar de um exercício religioso e acaba sendo envolvida pelos tentáculos inebriantes do amor. Ambas as mulheres são retratadas pelo professor Camilo, que passa pela região a convite da família para quem Florência trabalhava. O resultado é uma leitura sedutora, que é quase impossível de interromper sem sentir frustração, devido à sua incrível capacidade de envolver o leitor. -
Deixe-se conduzir pelas trilhas de Matinada, um pequeno vilarejo mineiro onde o tempo pulsa em um ritmo próprio, moldado pela natureza e pela força de sua gente. Este livro, inspirado pelo voo dos pássaros que marca a intensidade da vida na alvorada, transporta o leitor para um cenário tecido com a simplicidade das tradições rurais, o cheiro da terra e a solidariedade comunitária. A obra mergulha nas memórias do autor, explorando as origens históricas do local, desde a Estrada Real até a consolidação da vida agrícola. No entanto, mais do que um registro exaustivo, o livro oferece uma janela seletiva e afetiva, capturando o impacto vital dos encontros e das paisagens na constituição da experiência humana. Este é um convite a desacelerar. Ao trilhar os caminhos montanhosos e reviver as festas religiosas e os encontros espontâneos, você descobrirá como a paisagem e os laços humanos moldaram a essência de um lugar. Matinada, o Tempo dos Pássaros, é uma poderosa metáfora sobre a infância, os afetos primordiais e a beleza contida nos detalhes de um tempo preservado na alma.